Quero lembrar e confirmar que as portas sempre estiveram e continuam abertas para todo fiel que, como povo de Deus, queira participar e evoluir do tríplice múnus de Cristo: sacerdotal, profético e régio (cf. CDC 204), desenvolvendo a missão evangelizadora e caritativa que Jesus Cristo deixou para nossa Igreja através dos frutos do Espírito Santo.

Os frutos do Espírito são perfeições que o Espírito Santo forma em nós, como primícias da glória eterna. A tradição da Igreja enumera doze: caridade, alegria, paz, paciência, bondade, longanimidade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência, castidade (Gl 5, 22-23 vulg.); (CIC 1832).

Pelo chamado a um enobrecedor projeto de vida pessoal, sendo instrumento para a construção do reino de Deus, todo discípulo missionário deve engajar-se ativamente em algum ministério eclesial, ou em obras de ações sociais. Incorporado mais ativamente às obras divinas, ele pode consagrar-se ainda mais a Deus, servindo-O através do próximo em benevolentes ações de fraternidade, realizadas e reconhecidas em todas as obras dedicadas ao próximo.

Os leigos, em virtude da sua consagração a Cristo e da unção do Espírito Santo, recebem a vocação admirável e os meios que permitem ao Espírito produzir neles frutos cada vez mais abundantes. Assim, todas as suas obras, preces e iniciativas apostólicas, vida conjugal e familiar, trabalho cotidiano, descanso do corpo e da alma, se praticadas no Espírito, e mesmo as provações da vida, pacientemente suportadas, se tornam hóstias espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo (1Pd 2,5), hóstias que são piedosamente oferecidas ao Pai com a oblação da Eucaristia. É assim que os leigos consagram a Deus o próprio mundo, prestando a Ele, em toda parte, na santidade de sua vida, um culto de adoração (CIC 901).

Para o leigo que ainda não conseguiu reconhecer o chamado, vamos nos colocar em oração para que este artigo seja uma ponte com o Espírito Santo, iluminando o seu coração e a sua alma com o amor que Jesus Cristo tanto tem nos ensinado, e assim ele possa sentir a glória de viver mais incorporado a Ele, em plena comunhão com o Seu Corpo que está vivo em nossa Igreja, o qual revela em unidade o sentido universal da salvação em comunidade (cf. Apostolicam Actuositatem, cap.3,10). Este deve ser nosso maior testemunho de fé, que nos habilita e nos capacita para enviar muitos irmãos a um encontro renovador e santificador com as Três Pessoas Divinas do Único Deus.

A fidelidade dos batizados é condição primordial para o anúncio do Evangelho e para a missão da Igreja no mundo. Para manifestar diante dos homens a sua força de verdade e de irradiação, a mensagem de salvação deve ser autenticada pelo testemunho de vida dos cristãos. “O próprio testemunho da vida cristã e as boas obras feitas em espírito sobrenatural possuem a força de atrair os homens para a fé e para Deus” (CIC 2044).

Com nossos dons e carismas, quando participamos diretamente dentro da estrutura eclesial, começamos a nos envolver com irmãos que já têm, ou estão procurando, um grau maior de espiritualidade, ou seja, ativamente mais enraizados e fortalecidos de conhecimentos do plano de Deus, e que, com isto, conseguem ser bons anunciadores do Seu reino. Com esse tipo de envolvimento, as oportunidades de formação (“fides quaerens intellectum” – fé em busca de entendimento, Santo Anselmo), como cursos, palestras, estudos bíblicos, teologia, grupos de oração e muitas outras providências divinas, começam a surgir em nossas vidas; assim, com sabedoria, entendimento e discernimento, começamos a viver mais plenamente o Verdadeiro Amor da Santíssima Trindade. Um Amor tão envolvente e esplendoroso que é capaz de iluminar nosso caminho em todas as “coisas” de Deus, fazendo com que recebamos muitas revelações do Espírito Santo sobre grandes verdades de fé e de caridade = AMOR PLENO AO PRÓXIMO.

O amor não pratica o mal contra o próximo, pois o amor é o pleno cumprimento da Lei (Rm 13,10).

Para cumprir sua missão com responsabilidade pessoal, os leigos necessitam de uma sólida formação doutrinal, pastoral, espiritual e um adequado acompanhamento para darem testemunho de Cristo e dos valores do Reino no âmbito da vida social, econômica, política e cultural (Dap. 212).

Por Orlando Polidoro Junior
Via Aleteia