Silêncio absoluto, contemplação perpétua e completa renúncia ao mundo: a ordem mais austera da Igreja

Uma das mais admiráveis jóias do imenso tesouro da Igreja católica é a sua riquíssima diversidade de carismas e ordens religiosas: desde frades missionários que viajam pelos confins do mundo até monges reclusos que vivem da oração e do mais absoluto silêncio.

Dentre a miríade de ordens para todas as vocações cristãs, há uma que, em especial, costuma ser intensamente impactante para todos os que ouvem falar dela pela primeira vez: a Grande Cartuxa (foto), fundada por São Bruno em 15 de agosto de 1084, solenidade da Assunção de Nossa Senhora, em Saint-Pierre de Chartreuse, ao norte de Grenoble, na França.

Da palavra “Chartreuse“, latinizada como “Cartusia”, veio o termo português “cartuxa”, que designa os mosteiros desta ordem considerada a mais austera da Igreja.

Ao longo de toda a sua existência, a cartuxa sempre manteve um radical espírito de pobreza. Seus monges e monjas, que vivem em mosteiros separados, buscam na ordem a maior intimidade com Deus por meio da oração e da contemplação, conciliando a vida comunitária reclusa e silenciosa com a vida profundamente contemplativa.

Como meio para se chegar a Deus, reside na cartuxa o silêncio mais total e absoluto. Os períodos de jejum também se prolongam pelo ano todo, em uma prática que, com pouquíssimas modificações, perdura até os dias de hoje.

O lema da cartuxa é “Stat Crux dum vólvitur órbis” (“A Cruz permanece em pé enquanto o mundo dá voltas“).

A revista Expresso, de Portugal, passou um dia com os monges da cartuxa de Évora em janeiro de 2007. Um resumo da experiência pode ser acompanhado nestes menos de 3 minutos de vídeo:

No Brasil, existe uma cartuxa em Ivorá, no Rio Grande do Sul: a de Nossa Senhora Medianeira.

Os Cartuxos formam portanto uma Ordem milenar, fundada por São Bruno.

Hoje em dia, compõe-se de cerca de 450 monges e monjas que levam uma vida solitária no coração da Igreja, e inclui 24 casas distribuídas em três continentes, vivendo a mesma vocação contemplativa.

Como todos os monges, os cartuxos consagram sua vida inteira à oração, para trabalhar por sua salvação e pela de toda a Igreja. Esta ordem contemplativa se apóia de maneira particular sobre três elementos:

* a solidão
* certa combinação de vida solitária e de vida comunitária
* a liturgia cartusiana

A solidão implica a separação do mundo. Assegurada pela clausura, esta solidão se concretiza, entre outros modos, em:

* Uma saída por semana, para o Passeio
* Carência de visitas
* Sem apostolado exterior
* Não há rádio nem televisão

Os cartuxos não são completamente ermitões. As duas dimensões (ativa e contemplativa) presentes em sua vida solitária também se expressam de maneira comunitária: em especial com a missa conventual, o longo ofício noturno, a recreação e o passeio.

Via Aleteia

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